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A luta de Mozart, o SAMA deve continuar.

A luta de Mozart, o SAMA deve continuar.

Por Armstrong Lemos, advogado, OAB/MA 11.195

Temos perdido muitas personalidades para o vírus que assola o mundo. A cada instante uma má surpresa: alguém por quem tínhamos afeto, respeito ou admiração, se vai, e o pior, não podemos nem dizer adeus nos últimos preparativos para o retorno ao pó. Assim foi com o nosso colega advogado Mozart Baldez, falecido no dia 12 de maio de 2021, que após o aposento das atividades policiais, dedicou-se a advocacia, e retornando ao Maranhão, protagonizou um dos mais destemidos movimentos de valorização da categoria e da prestação jurisdicional maranhense, através do Sindicato dos Advogados e Advogadas do Maranhão – SAMA.

Mozart, para quem acompanhava nas redes sociais as suas andanças pelo Maranhão, denunciando a morosidade do judiciário, e por vezes, os abusos de alguns servidores togados na sua rotina TQQ ( terça, quarta e quinta, em alusão ao abandono das comarcas por alguns juízes, que só compareciam nesses dias da semana em suas sedes de atuação) foi também, com a mesma coragem, quem reconheceu os bons quadros de togados que faziam o contraponto, atuando com diligência e respeito.

Mozart, de personalidade forte em princípios que acreditava, lutou o bom combate, trazendo à pauta da advocacia maranhense a necessária característica da independência, e lutou, assim como eu e tantos que fizeram parte da sua chapa às eleições da OAB/MA em 2018, por uma instituição mais forte, que valorize o advogado e as suas prerrogativas. Naquele pleito, em uma campanha sem recursos, sem jantares e almoços caros, sem patrocínios duvidosos, a não ser a cota da chapa e muito dos recursos pessoais do candidato a presidente, conseguiu capitanear quase quinhentos votos, defendendo uma ação politica/institucional que rompesse com o estado letárgico em que se encontrava a advocacia maranhense.

Por sua coragem, foi perseguido por entidades de classe, por magistrados e por figurões que viam na atuação daquele advogado combativo, uma ameaça para o rompimento das vendas que lacram a visão do povo – não a visão da justiça, que apesar de ser representada com os olhos vendados, possui olhos bem abertos.

Mozart passou a responder processos, alguns por difamação contra as togas do maranhão, e utilizando-se da exceção da verdade, venceu as lides julgadas, enquanto outras ainda correm na justiça. E agora, eternizado – sim, eternizado, pois quem luta como lutou, não morre, se eterniza – não mais sentará na cadeira como parte demandada e advogado em causa própria, pois a natureza calou a sua voz, e não os homens.

Seguir a luta do nobre colega, ainda mais quando corre na justiça ação que questiona a legalidade do SAMA, é missão daqueles que querem uma advocacia combativa e de luta. Que defenda, junto com a OAB, as prerrogativas dos advogados, e os desafios dos novos tempos da profissão.

A Mozart, e à sua passagem aqui na terra, as palavras do apóstolo Paulo de Tarso ( Bíblia sagrada, 2 Timóteo 4:7-8): “ Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.

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